Basta uma temporada de calor com alguns dia de sol e lá estão elas: manchas acastanhadas, pequenas ou grandes, sobre a pele do rosto. Estamos falando do melasma, uma característica mais comum do que se imagina.
"Ele consiste em um distúrbio caracterizado pelo surgimento de marcas em tom de marrom, simétricas e assintomáticas, que acometem principalmente as regiões das bochechas, acima dos lábios, queixo e testa", explica a dermatologista Anna Maria Machado Ganem, de Brasília.
O primeiro passo para contornar essa disfunção é o diagnóstico. Só assim o médico dermatologista poderá indicar a melhor solução e os produtos que devem fazer parte da rotina.
O que causa o melasma?
A causa, em si, ainda é desconhecida. Entretanto, diversos fatores de risco contribuem para o surgimento do melasma. O principal deles é a exposição solar, hábito que colabora tanto para o surgimento, quanto para os períodos de piora e recorrência do quadro.
"Pessoas com melasma possuem melanócitos hiperfuncionantes, que reagem na presença da radiação solar ou das luzes artificiais e produzem mais melanina que o normal", esclarece a dermatologista Hillane Rodrigues, da Bahia.
Existe ainda uma relação direta entre o melasma e as flutuações dos hormônios femininos. Não raro, ele aparece ou piora com o uso da pílula anticoncepcional ou na gestação. Em situações mais raras, também pode aparecer quando há o aumento do estresse oxidativo. "É aquele que ocorre nas células em consequência de esforços físicos intensos, uso de alguns medicamentos ou distúrbios psicológicos, como a ansiedade", explica Anna.
É verdade que o melasma atinge mais as mulheres?
Sim! Entre 80 e 90% dos pacientes são mulheres. "Durante a fase reprodutiva, os níveis dos hormônios femininos em circulação aumentam e atuam como fatores que desencadeiam da doença", relembra Anna.
Melasma tem cura?
Infelizmente, não. Ele é um problema crônico, mas controlável. Hoje, é possível mantê-lo adormecido com medidas adotadas para cada caso por um dermatologista.
Quais são os tratamentos disponíveis no consultório médico?
Em geral, o plano de tratamento inclui a associação de produtos cosméticos e procedimentos em consultório, tais como:
Microagulhamento
Neste tratamento, são utilizadas agulhas minísculas que criam pequenos orifícios na pele, provocando o estímulo da produção de colágeno. Em geral, é associado à técnica de drug delivery, isto é, aplicação medicamentosa nas pequenas lesões propositalmente causadas durante o protocolo.
Peeling químico
Trata-se da aplicação de ativos cosméticos de alta performance e concentração para provocar a renovação da pele em esfoliações ou danos controlados. É quando o organismo entende que foi atacado e precisa regenerar a região. O resultado varia conforme a substância adotada, mas, em geral, se dá pelo clareamento ou ações antioxidante e anti-inflamatória.
Mesoterapia
Consiste na aplicação de determinadas substâncias por meio de injeções intradérmicas. O objetivo é, novamente, estimular a renovação celular de dentro para fora.
Lasers despigmentantes
Feixes de luz ultrarrápidos atingem as partículas selecionadas por sensibilidade à cor. Eles fragmentam os pigmentos, que depois são eliminados naturalmente pelo organismo.
Como cuidar do melasma em casa?
Além dos tratamentos clínicos, os cosméticos também são bem-vindos para cuidado em casa. O mais importante deles é o protetor solar — que, no caso de quem sofre com manchas fotossensíveis, deve ser com cor. Os pigmentos da base formam mais uma barreira física na pele, além do filtro químico.
Ele é fundamental para dias ensolarados e passeios ao ar livre, é claro, mas também para realizar as tarefas cotidianas em casa, uma vez que luz visível e a iluminação artificial, como das telas, também funcionam como estimulantes.
Ativos antioxidantes, como a vitamina C, e uniformizadores, como a niacinamida, também ajudam gradativamente a homogeneizar a pele.
Fonte: Uol